O que é Claustrofobia?

O medo é uma das emoções básicas apresentadas pelos seres humanos, essa emoção faz parte do nosso repertório comportamental por ter sido selecionada ao longo da evolução de nossa espécie. Ele se caracteriza como sendo um comportamento que possibilita aos organismos evitarem situações de riscos. Sendo assim, esse tipo de comportamento tem alto valor de sobrevivência. No geral, o medo ocorre diante de estímulos ameaçadores, é uma emoção produzida quando notamos haver perigo em determinado ambiente. Esse evento pode estar presente ou pode ser iminente, e pode ter sido aprendido no decorrer de nossa história de vida pessoal.

Quando o medo é exagerado ou quando ocorre em situações em que a maioria das pessoas não emitiria esse tipo de comportamento, ele passa a ser considerado como fobia e classificado como um distúrbio de comportamento, com isso as pessoas, com a finalidade de não sentirem tais desconfortos, começam a se esquivar de determinadas situações.

A esquiva é uma das maneiras de se observar a fobia, pois a pessoa que apresenta esse tipo de comportamento não consegue frequentar determinados lugares, não expõe a situações específicas e foge de estímulos que potencializam o medo. Por exemplo, uma pessoa com fobia de espaços confinados (claustrofobia), não permanece em salas ou outro tipo de ambiente fechado e, provavelmente, não se submete a exames de tomografia computadorizada.

Outro aspecto importante em relação à manutenção da claustrofobia, é que a esquiva generalizada pode, inicialmente, ser controlada por uma situação realista, mas com o passar do tempo pode vir a persistir por longos períodos sem ser relevante, gerando aumento considerável no desconforto físico. CUIDADO: Esquivar-se sempre de um determinado evento supostamente ameaçador ou perigo leva a pessoa a não compreender que o estímulo aversivo pode não está mais presente e que não representa mais uma ameaça.

A intervenção terapêutica nos casos de claustrofobia pode incluir, dentre outras estratégias, a exposição gradual aos estímulos que são temidos, com prevenção das respostas de fuga e de esquiva. Essa intervenção geralmente é feita por meio da técnica de dessensibilização sistemática desenvolvida por Wolpe (1958), que envolve treinar o relaxamento físico, estabelecer uma hierarquia de ansiedade em relação ao estímulo temido e durante a exposição fazer estimular o relaxamento para reduzir as respostas de ansiedade e medo diante do estímulo temido (Moreira & Medeiros, 2007). O relaxamento contribui para diminuir a frequência respiratória e o tônus muscular, bem como o ritmo cardíaco (Neves Neto, 2012). A exposição é iniciada com estímulos que tem valores baixos na hierarquia de ansiedade e gradualmente chega-se aos que geram muita ansiedade. Dessa forma, ocorre a extinção das respostas eliciadas pelos estímulos temidos, uma vez que esses estarão presentes, mas não causarão danos à pessoa. Além da exposição, é importante que o terapeuta modele ou instrua comportamentos socialmente adequados (Geraldini-Ferreira & Britto, 2013). Por meio desse tipo de intervenção, a pessoa se torna capaz de engajar-se em atividades que antes evitava ou das quais fugia, o que contribui para que ela amplie seu repertório comportamental adaptativo. Tal repertório produzirá consequências reforçadoras que contribuirão para que o indivíduo se tornar mais produtivo e feliz.

Texto escrito por: Andressa Oliva

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Referências

Geraldani-Ferreira, M. C. C. (2013). Fobia Social na perspectiva analítico comportamental. In C. E. Costa, C. R. X. Cançado, D. R. Zamignani & S. R. de S. Arrabal-Gil (Orgs.), Comportamento em Foco (Vol. 2, pp. 151-156). São Paulo: ABPMC.

Moreira, B. M, & Medeiros, C. A. (2007). Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed.

Neves Neto, A. R. (2012). Técnicas de relaxamento, respiração diafragmática, meditação e biofeedback em Terapia Cognitivo-Comportamental: diferentes práticas capazes de evocar a resposta de relaxamento. In C. V. B. B. Pessoa, C. E. Costa, & M. F. Benvenuti (Orgs.), Comportamento em foco (vol. 1, pp. 469-475). São Paulo: ABPMC.

Sidman, M.(1995) Coerção e suas implicações. (M.A. Andery e T. M. Sério, Trad.), Campinas: Editorial Psy. (Publicado originalmente em 1989).

Silvares, E. F. M., & Meyer, S. B. (2000). Análise funcional da fobia social em uma concepção behaviorista radical. Revista de Psiquiatria Clínica, 27, 329-335, 2000.

Wolpe, J. (1958). Psychotherapy through reciprocal inhibition. Palo Alto, CA: Stanford University.

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Quando o medo é exagerado ou quando ocorre em situações em que a maioria das pessoas não emitiria esse tipo de comportamento, ele passa a ser considerado como fobia e classificado como um distúrbio de comportamento, com isso as pessoas, com a finalidade de não sentirem tais desconfortos, começam a se esquivar de determinadas situações.
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